De onde vêm as plantas
Agricultores, comerciantes e jardineiros levaram plantas para bem longe de casa. Cada história mostra onde uma planta (flor, árvore ou cultivo) cresce na natureza ou foi cultivada pela primeira vez.
29 histórias de 6 continentes
- África · 7
- Ásia · 3
- Europa · 2
- América do Norte · 8
- América do Sul · 5
- Oceania · 4
África
Ave-do-paraíso (Strelitzia)
📍 Costa do Cabo Oriental e de KwaZulu-Natal, África do Sul
A ave-do-paraíso cresce selvagem na costa leste da África do Sul, onde se acredita que as nectarínias que pousam nas pétalas azuis fiquem com os pés polvilhados de pólen. Joseph Banks batizou a planta em homenagem à rainha Carlota, duquesa de Mecklemburgo-Strelitz.
Bambu-da-sorte
📍 África Central (de Camarões ao Congo)
Apesar de apelidos como “bambu-d'água chinês”, o bambu-da-sorte não é bambu nem vem da China: é uma dracena selvagem da África Central, de Camarões ao Congo. Seu nome científico homenageia Henry Sander, cultivador de orquídeas nascido na Alemanha que vivia na Inglaterra.
Dendezeiro
📍 África Ocidental (costa do golfo da Guiné)
O dendezeiro é nativo da África Ocidental e Central, da Gâmbia até Angola, onde é usado há milênios. Só muito depois foi plantado na Malásia e na Indonésia, que hoje têm enormes plantações.
Flamboyant (árvore-de-fogo)
📍 Oeste e norte de Madagascar
Os flamboyants ardem em vermelho nas ruas de Porto Rico à Índia, mas por muito tempo ninguém soube de onde vinham. Só em 1932 foram achados exemplares selvagens, nas florestas secas do oeste de Madagascar, seu único lar nativo.
Gerânio (pelargônio)
📍 Cabo Ocidental e Cabo Oriental, África do Sul
Os “gerânios” de varanda são na verdade pelargônios do Cabo, na África do Sul. Navios com escala no Cabo provavelmente levaram os primeiros ao jardim botânico de Leiden antes de 1600, e cruzamentos de duas espécies selvagens do Cabo deram à Europa sua flor de jardineira favorita.
Maria-sem-vergonha (impatiens)
📍 África Oriental (do Quênia a Moçambique)
A maria-sem-vergonha dos jardins e canteiros cresce selvagem na África Oriental, do Quênia a Moçambique. Seu nome latino, Impatiens, significa “impaciente”: as vagens maduras estouram e lançam as sementes longe.
Milheto
📍 Sahel Ocidental (norte do Mali)
O milheto foi cultivado pela primeira vez na borda sul do Saara, na região do atual norte do Mali, há mais de 4.000 anos. Depois se espalhou até a Índia, que hoje o cultiva mais do que qualquer outro país.
Ásia
Abeto-de-Nordmann (a árvore de Natal)
📍 Montanhas do leste do mar Negro (nordeste da Turquia, Geórgia e oeste do Cáucaso)
A árvore de Natal favorita da Europa parece nórdica, mas o abeto-de-Nordmann cresce selvagem nas montanhas do leste do mar Negro, na Turquia, na Geórgia e no Cáucaso russo. Leva o nome do naturalista finlandês Alexander von Nordmann.
Crisântemo (de jardim)
📍 China
Os crisântemos de jardim foram cultivados e aprimorados na China por muitos séculos antes de chegarem ao Japão. Lá a flor virou o emblema do imperador, e por isso a monarquia japonesa é chamada de Trono do Crisântemo.
Ginkgo
📍 Montanhas do sudoeste e do leste da China
O ginkgo é a árvore oficial de Tóquio, mas vem da China, onde alguns bosques que talvez sejam realmente selvagens sobrevivem em refúgios nas montanhas. Seus ancestrais remontam a 170 milhões de anos, e as árvores fêmeas soltam sementes com cheiro de vômito.
Europa
Beterraba-sacarina
📍 Prússia (Berlim e Silésia), Alemanha/Polônia
A beterraba que dá cerca de um quinto do açúcar do mundo foi criada na Prússia: Andreas Marggraf achou açúcar na beterraba em Berlim em 1747, e seu aluno Franz Achard criou a ancestral da beterraba branca da Silésia e montou ali a primeira usina de açúcar de beterraba em 1801.
Castanheiro-da-índia
📍 Montanhas do norte da Grécia e da Albânia
O castanheiro-da-índia dos pátios escolares britânicos vem dos Bálcãs: os selvagens só sobrevivem em algumas florestas de montanha do norte da Grécia, da Albânia e arredores. Em todos os outros lugares, foi plantado.
América do Norte
Abeto-de-douglas
📍 Oeste da América do Norte (da Colúmbia Britânica à Califórnia e às Rochosas)
O abeto-de-douglas cresce selvagem no oeste da América do Norte, da Colúmbia Britânica à Califórnia e ao longo das Rochosas. Não é um abeto de verdade, e seu nome homenageia David Douglas, um coletor de plantas escocês que mandou suas sementes à Grã-Bretanha na década de 1820.
Cacto saguaro
📍 Deserto de Sonora (Arizona, EUA, e Sonora, México)
O cacto gigante dos filmes de faroeste cresce selvagem apenas no deserto de Sonora, no Arizona e no noroeste do México. Cresce tão devagar que os primeiros braços aparecem depois de 50 a 100 anos, e pode viver mais de 150.
Canola (a oleaginosa)
📍 Pradarias canadenses (Winnipeg e Saskatoon)
Campos amarelos de canola parecem antigos, mas a canola foi criada a partir da colza nos anos 1970 por cientistas canadenses em Manitoba e Saskatoon, que reduziram o ácido erúcico para obter um óleo comestível. O nome vem de “Canadian oil”.
Dália
📍 Planalto central do México
Quase todas as espécies selvagens de dália crescem só no México, berço e centro de diversidade do gênero. O botânico espanhol Antonio José Cavanilles batizou a flor em 1791 em homenagem ao botânico sueco Anders Dahl.
Monstera (costela-de-adão)
📍 Sul do México e Guatemala
A costela-de-adão vem das florestas tropicais do sul do México e da Guatemala. Seu nome “deliciosa” significa delicioso: o fruto maduro é comestível.
Pinheiro-de-monterey
📍 Costa central da Califórnia, EUA
O pinheiro-de-monterey só cresce na natureza num curto trecho da costa central da Califórnia e em duas ilhas mexicanas. Mesmo assim, representa cerca de 90% das florestas plantadas da Nova Zelândia.
Plumeria (frangipani)
📍 México, América Central e Caribe
A flor favorita dos colares havaianos chegou lá há pouco: a plumeria é nativa do México, da América Central e do Caribe, e o médico alemão William Hillebrand a levou às ilhas em 1860. O outro nome, frangipani, vem do perfume de um marquês italiano.
Poinsétia (bico-de-papagaio)
📍 Encostas do Pacífico do México e da Guatemala
As poinsétias de Natal crescem em estado selvagem como arbustos nas encostas do Pacífico do México e da Guatemala. Suas “pétalas” vermelhas são na verdade folhas, e a planta leva o nome de Joel Poinsett, enviado dos EUA ao México que a mandou para casa na década de 1820.
América do Sul
Aguapé
📍 Bacia Amazônica, Brasil
O aguapé hoje sufoca o lago Vitória, o rio Congo e as águas de toda a Ásia tropical, mas esta planta flutuante vem da bacia Amazônica. Jardineiros a espalharam por causa das flores lilás, e seus tapetes podem dobrar de tamanho em uma a duas semanas.
Antúrio (flor-flamingo)
📍 Sudoeste da Colômbia e Equador
O antúrio brilhante em forma de coração do Havaí é nativo da Colômbia e do Equador e só chegou às ilhas, vindo de Londres, em 1889. O “coração” vermelho não é uma pétala: as flores de verdade são as pequenas saliências da espiga.
Buganvília (primavera)
📍 América do Sul (Brasil e vizinhos)
A buganvília, a flor das varandas mediterrâneas, é nativa da América do Sul e cresce selvagem do Brasil ao Peru e à Argentina. Seu nome homenageia o explorador francês Louis-Antoine de Bougainville, cuja expedição a registrou.
Cacto-de-natal (Schlumbergera)
📍 Serras litorâneas do sudeste do Brasil
O cacto-de-natal não é planta de deserto: seus ancestrais selvagens, as Schlumbergera, crescem sobre árvores e rochas nas serras litorâneas e enevoadas do sudeste do Brasil, onde são chamados de flor-de-maio, porque florescem no outono do Hemisfério Sul.
Jacarandá-mimoso
📍 Centro-sul da América do Sul (norte da Argentina, Paraguai, sul da Bolívia)
O jacarandá-mimoso cresce selvagem no centro-sul da América do Sul, onde a espécie hoje é classificada como Vulnerável. Pretória, na África do Sul, plantou tantos, dezenas de milhares, que ganhou o apelido de “Cidade dos Jacarandás”.
Oceania
Cana-de-açúcar
📍 Nova Guiné
A cana-de-açúcar foi domesticada primeiro na Nova Guiné. Navegadores austronésios a espalharam pelo Pacífico e, a oeste, até a Índia, onde Nearco, almirante de Alexandre, se maravilhou com “juncos que dão mel sem abelhas”.
Kentia (palmeira-kentia)
📍 Ilha Lord Howe, Austrália
A palmeira clássica dos saguões de hotel e das salas vitorianas só cresce nativa na Ilha Lord Howe, um pontinho de terra no mar da Tasmânia, perto da Austrália. Desde os anos 1870, os moradores da ilha colhem suas sementes para os viveiros do mundo.
Melaleuca (fonte do óleo de tea tree)
📍 Norte de Nova Gales do Sul e sudeste de Queensland, Austrália
A melaleuca não tem parentesco com a planta do chá: é uma mirtácea australiana que cresce selvagem à beira de riachos e em baixadas alagadiças do norte de Nova Gales do Sul e do sudeste de Queensland. O óleo de suas folhas virou produto comercial nos anos 1920.
Pinheiro-da-ilha-norfolk
📍 Ilha Norfolk (Austrália), Pacífico Sul
Essa “árvore de Natal viva” não é um pinheiro verdadeiro e cresce selvagem só na minúscula ilha Norfolk e na vizinha ilha Phillip, entre Nova Zelândia e Nova Caledônia. Em 1774, Cook esperava que seus troncos altos e retos dessem mastros, mas a madeira não era forte o bastante.